Fortaleza. Sábado, 24 de março.
8:45
O despertador toca na hora programada. Terei tempo para terminar a mala, resolver algumas pendências e me arrumar para o vôo de 11:50 da GOL que me levará a SP para o show do Roger Waters às 21hs no Morumbi.
9:00
Meu celular toca. É o Denis, um dos amigos com quem viajarei.
Voz tensa:
- Pablo, nosso vôo de 11:50 foi cancelado cara!
Ainda semi-acordado, pergunto-me se ele faria uma brincadeira como essa àquela hora da manhã. Ele não faria.
- Como assim, cancelado? É sério?
- Sim, ligaram-me agora da Gol. Cancelaram. Transferiram todos os passageiros para o vôo das 14:50.
- Pu-ta-que-pa-riu.
Ligo para a GOL. Tenho alguns amigos que trabalham lá. Apresento-me, aflito, e pergunto que outra opção de vôo teria para mim.
Uma ressalva: por ser beneficiário de uma funcionária da Gol eu só embarco quando há disponibilidade de assento na aeronave. Ou seja, eu não me incluía entre “todos os passageiros transferidos para o vôo de 14:50”, pois este estaria lotado com a recolocação.
- Pablo, o vôo das 14:50 realmente estará lotado. Temos um vôo saindo agora, 10hs que faz Fortaleza – Recife – Salvador - Rio de Janeiro - São Paulo. Quer ir nesse? É a única opção e você tem que correr para conseguir chegar a tempo. Se não atrasar em nenhum destino, deve chegar em SP às 19:20.
- Caralho, é a única opção? Então me coloca nesse que eu dou um jeito de chegar aí!
Pulei da cama, peguei a mala e, quase neurótico, saí de casa.
- Rebeca, tu tem que me deixar no aeroporto agora! Meu vôo foi cancelado!
9:40
Chego no aeroporto. O vôo das 10hs estava meia hora atrasado. Consegui chegar, pagar as taxas e ir ao check in. Quando estou despachando a mala, a notícia:
- Pablo, o trecho Salvador-Rio desse vôo está lotado. Não posso te embarcar.
- Puta-que-pariu-o-que-é-que-eu-faço-agora?
- O Vôo das 14:50 está lotado. Tem um vôo que sai daqui às 17hs e chega em Congonhas às 20:20, se não atrasar.
- Tá louco? Mesmo que não atrase, eu perderia metade do show, que é no Morumbi!
Tenso, ligo para minha amiga que trabalha na GOL.
- Socorro! Não consegui embarcar no vôo de 10hs e o das 14:50 tá lotado, o que eu faço?
- Calma! Pede pra supervisora te colocar na reserva do 14:50 que você vai nem que seja com o comandante! Chego aí daqui a pouco pra te ajudar.
Como não tinha garantia de embarcar nesse vôo, eis o que fiz: fui ao balcão da Varig e da Ocean Air verificar se havia vôo direto para São Paulo naquela tarde. Não havia.
Na BRA havia um, mas estava previsto sair às 15hs e não era certeza. Na TAM havia um que saia também às 14:50, assim como aquele da Gol. Liguei para uma amiga na agência de turismo e pedi que ela comprasse um assento nesse vôo por garantia. Custou-me mais 385 reais. Ui.
13:40
Aguardo minha amiga ver a possibilidade de embarcar no vôo GOL de 14:50, minha melhor opção, quando ela liga.
- Pablo, já sabe do vôo de 14:50? Está previsto com mais de duas horas de atraso.
- ...
Broxado, corri pra fazer o check in na TAM. Era minha última opção. Torci para que não atrasasse também.
- Senhor, o vôo vai atrasar apenas 20 minutos, mas faz escala em Brasília e lá não podemos garantir que não haverá atrasos. Por enquanto não está havendo sequenciamento em Brasília (a maldita operação-padrão dos controladores), mas até lá ninguém sabe.
Embarquei.
Estou a caminho da aeronave, quando o “finger” (aquela passarela que leva você até o avião) se desprende da aeronave.
Gritos.
- Todos pra fora da passarela, ela se soltou do avião!
Dez minutos depois, tudo resolvido. Entramos no avião. Todos embarcados, prontos para seguir viagem, quando 6 para-médicos começam a entrar. Uma passageira estava passando mal. Acreditem, além de tudo a desgraçada ainda estava na última fila do avião!
Quase 40 minutos se passaram para atender a filha-de-&$%&^#@&^.
16:00
Com mais de 1h de atraso, levantamos vôo de Fortaleza.
Na escala em Brasília, liguei para o motorista que me esperava em São Paulo.
- Marcos, o vôo deve chegar entre 19:30 e 20:00 em Congonhas.
- Seu Pablo, se o senhor chegar 20hs vai perder metade do show.
Ah, como eu quis matá-lo por dizer isso.
19:00
Levantamos vôo de Brasília e o comandante faz um contato.
- Senhores passageiros, nosso pouso está estimado para 20:20 em Congonhas.
A essa altura, já havia entregue os pontos. Ficava fazendo as contas de quantas músicas ainda conseguiria ver daquele show pelo qual pagara uma fortuna.
20:25
O avião pousa em Congonhas.
Eu não tinha bagagem, pois deixara a minha jogada em Fortaleza para ganhar tempo na chegada. Trouxe apenas o básico. Menos que isso.
Antes de pousar eu já havia me mudado da poltrona 22 para a poltrona 3, próximo à saída. Enquanto a comissária instruía os passageiros a manterem seus celulares desligados, eu já havia desatado os cintos, ligado para o motorista e tão logo a porta da aeronave abriu, eu bati em disparada até a saída. Congonhas foi reformado há pouco e o desembarque agora é imenso. Nossa aeronave parou na penúltima passarela. Quase 1km correndo feito louco até a saída, observado curiosamente por centenas de passageiros.
Entro no carro e aceleramos para o Morumbi. Meu irmão já estava no estádio e avisara que o trânsito até lá estava tranqüilo.
21:00 em ponto.
Chego ao Morumbi. Desço do carro e vou até o portão.
- Onde fica o portão 2?
- É aqui mesmo, senhor.
Coloco o pé no estádio e apagam-se as luzes. Começa o show. Pontualidade britânica.
Acredite, eu sou um sujeito de muita sorte.
Ah, o Denis, meu amigo, desistiu de embarcar depois de tantos imprevistos.
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